problemas pessoais no trabalho

Problemas pessoais no trabalho

por Tom Coelho

“Enfrente os problemas ou será destruído por eles”
Rimpoche

O relógio toca as oito badaladas matinais, você registra sua presença no livro ou ponto eletrônico e automaticamente todos seus dilemas pessoais são esquecidos. Iniciará a jornada de trabalho com energia e foco em suas tarefas. Contas vencidas, parentes enfermos e desilusões amorosas voltarão a habitar seus pensamentos apenas no fim do expediente.

A verdadeira realidade

O quadro acima é tão surreal quanto alguns empregadores gostariam que fosse a realidade. A publicitária alemã Judith Mair diz no livro Chega de Oba-oba que trabalho não tem de ser sinônimo de prazer, pois o ambiente profissional não é lugar para amizades e a jornada deve terminar na empresa, sendo proibido levar serviço para casa.

No entanto, o fato é que colocar uma linha divisória entre vida pessoal e profissional é absolutamente impraticável. Razão e emoção coexistem em nosso ser, a cada instante, onde quer que estejamos. Assim, o que podemos fazer é atenuar o impacto de nossos problemas pessoais dentro do espaço corporativo, buscando conciliar nossos interesses com os da empresa.

Quando esse equilíbrio deixa de ser atingido, as conseqüências são imediatas. Primeiro, o estresse, que em grau mais acentuado pode levar ao Burnout (doença psicológica caracterizada pela manifestação inconsciente do esgotamento emocional). Em paralelo, surge o presenteísmo, a síndrome de estar presente no ambiente de trabalho, porém absolutamente desconectado – o que afeta drasticamente a produtividade. Mais adiante vem o absenteísmo, a ausência física da empresa, motivada seja por desestímulo ou doenças clinicamente identificadas.

5 dicas para lidar com seus problemas

Você quer saber como lidar com esses infortúnios do cotidiano pessoal sem comprometer sua situação na empresa? Confira algumas sugestões.

1. Siga pelo caminho do meio – Evite o isolamento, deixando de compartilhar seus problemas com as pessoas mais próximas. Passamos ao menos oito horas envolvidos com o trabalho. Se você não conversar com alguém, sua cabeça pode virar uma panela de pressão prestes a explodir. Por outro lado, evite a exposição demasiada. Você não precisa dividir seus anseios com todos ao redor – até porque no ambiente corporativo há muitas pessoas que esperam descobrir suas fraquezas para atacá-lo. Seja seletivo.

2. Comunique – Seu superior hierárquico não tem bola de cristal para saber o que está se passando e pode avaliar sua apatia como desinteresse ou até desleixo. Informe-o, ainda que superficialmente, que está passando por uma fase difícil, mas está em busca da superação.

3. Busque a discrição – A menos que seu espaço seja delimitado por uma sala privada, com boa vedação acústica, onde seja possível trancar a porta, cuide para que seus assuntos pessoais sejam tratados reservadamente. Assim, afaste-se para falar ao telefone ou travar aquela batalha verbal comum em muitas discussões. Se o embate for pelo computador, certifique-se de fechar a tela que contém o diálogo ao sair do ambiente. E jamais chore em público. Alguns serão solícitos e oferecerão carinho e apoio, mas outros não se esquecerão desse seu momento de fragilidade e usarão isso contra você no futuro.

4. Peça ajuda – Se o problema é de ordem financeira, busque um adiantamento ou um crédito consignado para solucioná-lo. Já se for uma questão de saúde, procure tratamento. Se enfermo, evite a automedicação e agende um médico. Se está diante de dependência química, comece uma terapia. Busque um aliado no RH ou departamento de saúde ocupacional de sua empresa.

5. Afaste-se para cuidar dos problemas – Se seu desempenho está sendo prejudicado e seus problemas não estão sendo resolvidos, o melhor a fazer é se licenciar. Antecipe parte das férias para direcionar toda a atenção na solução do que o aflige. Em última instância, vale até considerar um pedido voluntário de demissão, negociando as condições da saída.

Dica: se com você está tudo bem, mas seu colega de trabalho notadamente está passando por um período difícil, use da empatia e se coloque, por um instante, no lugar dele, procurando ajudá-lo. Aconselhamento e orientação podem fazer toda a diferença. Afinal, lembre-se de que um dia os papéis poderão estar invertidos.

matéria incluída em: 13/02/2009


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Tom Coelho é graduado em Publicidade e Economia, com especialização em Marketing e Qualidade de Vida no Trabalho. É consultor financeiro especializado em turnaround.
E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br

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