Considerações sobre o Teísmo Aberto

Considerações Sobre o Teísmo Aberto
Por Pr. Leandro Barbosa

“Teísmo aberto”, também conhecido como “teologia da abertura” e “abertura de Deus”, é uma tentaiva de explicar a relação entre o pré-conhecimento de Deus sobre os fatos e o livre arbítrio dos homens. Os argumentos do teísmo aberto são essencialmente estes: (1) seres humanos são verdadeiramente livres, (2) se Deus soubesse o futuro absolutamente, os seres humanos não poderiam ser verdadeiramente livres, (3) portanto, Deus não sabe absolutamente tudo sobre o futuro. O teísmo aberto acredita que o futuro não pode ser conhecido. Portanto, Deus sabe tudo o que pode ser sabido – mas Ele não conhece o futuro.

O teísmo aberto baseia estas crenças em Escrituras que descrevem Deus “mudando de idéia”, ou “sendo surpreendido”, ou “parecendo adquirir conhecimento” (Gênesis 6:6; 22:12; Êxodo 32:14; Jonas 3:10). À luz de diversas outras Escrituas que declaram o conhecimento de Deus acerca do futuro, estas Escrituras devem ser entendidas como Deus descrevendo a si próprio de maneira que possamos entender. Deus sabe quais serão nossas ações e decisões, mas Ele “muda de idéia” com relação às Suas idéias baseado nas nossas ações. Deus estando “surpreso” e decepcionado com a perversidade da humanidade não significa que Ele não sabia que as coisas iriam ocorrer.

Em contradição ao teísmo aberto, Salmos 139, versos 4 e 16 declaram: “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda… e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda”. Como Deus poderia prever detalhes intricados sobre Jesus Cristo no Antigo Testamento se Ele não conhecesse o futuro? Como Deus poderia de alguma maneira garantir a nossa salvação eterna se Ele não soubesse o que haveria de acontecer no futuro?

Por fim, o teísmo aberto falha na sua tentativa de explicar o inexplicável – a relação entre o pré-conhecimento de Deus e o livre arbítrio da humanidade. Assim como formas extremas do Calvinismo falham ao fazer dos seres humanos nada mais que robôs pré-programados, o teísmo aberto falha ao rejeitar a verdadeira onisciência de Deus. Deus deve ser entendido por fé, pois “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). O conceito do teísmo aberto não é, portanto, escritural. É simplesmente outra forma de o homem finito com a sua mente finita tentar entender um Deus infinito, da mesma forma que se tentasse beber um oceano inteiro. O teísmo aberto deve ser rejeitado pelos seguidores de Cristo. Mesmo que o teísmo aberto seja uma explicação para a relação entre o pré-conhecimento de Deus e o livre arbítrio humano – ele não é a explicação bíblica.

Historicamente, a teologia sempre buscou a interpretação exata das Sagradas Escrituras. Apesar de algumas diferenças entre as principais correntes, como o calvinismo, neo-calvinismo e arminianismo, todas concordam que Deus é imutável, perfeito e, por isso, não passa por processos de aprendizagem. Ele é onisciente, onipresente, onipotente, transcendente e soberano. É dono do passado, presente e futuro.

Além disso, o entendimento clássico ensina que Deus é espírito e sua constituição é de três pessoas em um único Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). No entanto, não é o que acontece com a Teologia Relacional ou Teísmo Aberto. Esta linha teológica está ganhando muitos seguidores, principalmente após o desastre provocado pelas ondas Tsunamis, que devastou a costa de vários países asiáticos no final de 2004.

O Teísmo Aberto diz que o desastre só aconteceu porque o futuro é algo desconhecido por Deus. E que, apesar Dele ter sentido compaixão das pessoas que morreram, Ele nada poderia fazer a respeito disso. Assim, entre os pontos principais da Teologia Relacional, estão:

O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.

Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.

Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.

Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.

Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.
Esclarecimentos pela Bíblia

Os teólogos adeptos desta linha não medem esforços para tentar provar que Deus seja realmente atingido pelas criaturas ao ponto de aprender com elas. No entanto, a tentativa simplesmente ignora uma série de passagens bíblicas, ao ponto de construir um Deus estranho aos próprios ensinamentos de Cristo. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo, resume os erros crassos do Teísmo Aberto.

Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1 etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsáve, analisa.

Além disso, Augustus Nicodemus Lopes ressalta que Deus não é ignorante, fraco ou vulnerável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?, destaca.

Relação de Deus com o homem

Da mesma forma, evangelista e jornalista Silas Daniel diz que, de fato, Deus sempre procurou se relacionar com o homem. Mas isso não significa que o Senhor passe por transformações por causa da ação humana. Deus quer se relacionar com o ser humano? Sim. Isso é um fato em toda a Bíblia. O Evangelho nada mais é do que o Deus gracioso em busca do ser humano para salvá-lo (Lc 19.10; Jo 3.16). Porém, esse relacionamento, diferentemente do que afirma o Teísmo Aberto, não muda Deus, não altera-o, não faz com que Ele aprenda conosco. Para o Teísmo Aberto, afetamos Deus no sentido de fazer com que a vontade dEle seja alterada. Mas não é isso que a Bíblia diz. A oração, em nenhum momento, altera a vontade de Deus. Ela nos leva à vontade de Deus, quando oramos com nosso coração aberto, humilde e sinceros diante do Senhor. A Bíblia diz que Deus só atende à oração que é feita segundo a Sua vontade (1Jo 5.14). A oração não muda a vontade de Deus, adverte.

Silas lembra da própria oração que Jesus ensinou aos discípulos. Jesus, na Oração do Pai Nosso, ensinou que devemos orar para que seja feita a vontade de Deus na Terra ‘assim como no Céu’ (Mt 6.10). Ou seja, Ele estava ensinando que a oração não é para que seja feita no Céu a nossa vontade na Terra, mas para que seja feita na Terra a vontade do Céu, a vontade de Deus. Um exemplo: II Crônicas 7.14. Nessa passagem, está claro que quando nós mudamos, aceitando a vontade de Deus para nossas vidas, Deus nos abençoa. Não é Deus que muda seu comportamento em nosso favor, mas nós que mudamos nosso comportamento em relação a Ele, nos convertemos a Ele, buscamos a sua presença, e então Ele, que sempre quer nos abençoar, nos abençoa. Por isso costumo dizer que Deus está mais interessado em nos abençoar do que nós em sermos abençoados por Ele. A questão é nosso comportamento, não o de Deus”, ensina.

Silas ainda explica que Deus não se arrepende. Mas alguém pode dizer: E aquelas passagens bíblicas em que Deus, após alguém orar e interceder, ‘se arrepende’? O ‘arrependimento’ de Deus trata-se de uma linguagem antropomórfica para explicar a relação de Deus com o homem. Não significa dizer que Deus é como o homem. A própria Bíblia nega isso contundentemente (Nm 23.19). Arrependimento significa ‘mudança de atitude’. Ora, quando a Bíblia diz, em linguagem antropomórfica, que ‘Deus se arrependeu’, está afirmando, portanto, que Ele, por causa de nossa mudança de atitude diante dEle, mudou sua ação sobre nós. Isso é, de certa forma, ‘afetar Deus’? Sim, mas não afetar no sentido de mudar Sua vontade ou comportamento, porque Ele não mudou. Ele continua santo. Não aceita pecado. Por isso, se permanecemos no pecado, não somos abençoados. Ele continua misericordioso e perdoador, por isso, se o buscarmos arrependidos, Ele nos perdoa. Ou seja, Deus não muda. Ele continua sendo o que sempre disse que era. Nós é que deixamos de ser o que éramos, o que impede de Ele nos abençoar, esclarece.

O teólogo Augustus Nicodemus Lopes finaliza com a afirmação de que não podemos esquadrinhar o poder de Deus, mas que não há dúvidas de sua soberania. Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): ‘Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia’, finaliza.

A definição abaixo foi extraída da Wikipédia, Enciclopédia Livre:

Teísmo Aberto é a teologia que nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. Seus defensores apresentam outra definição onde afirmam pretender uma reavaliação do conceito da onisciência de Deus, na qual se afirma que Deus não conhece o futuro completamente, e pode mudar de idéia conforme as circunstâncias. Afirmam também, alguns defensores, que o termo “Todo-poderoso” não pode ser extraído do contexto bíblico, pois, segundo eles, a tradução original da palavra do qual é traduzida tal expressão havia se perdido ao longo dos séculos.

O Teísmo Aberto tem origem na Teologia do Processo. Surgido na década de 30, a Teologia do Processo, tendo como principais representantes Charles Hartshorne, Alfred North Whitehead e John Cobb, é uma tendência filosófico-teológica chamada panenteísmo, que consiste na aproximação do pensamento teísta e panteísta; herdando as características de tais inovações mais filosóficas que teológicas, surgindo a seguir o Teísmo Aberto. O termo Teísmo Aberto teria sido cunhado pelo adventista Richard Rice em 1979, quando publicou pela Review and Herald Publishing, o livro “A Abertura de Deus: a Relação entre a Presciência Divina e o Livre-arbítrio” (The Openness of God: The Relationship of Divine Foreknowledge and Human Free Will). Jonh MacArthur, no ensaio Megamudança Evangélica chegou a apontar para o surgimento desse ensino tendo origem em Robert Brow, através de preleções em praça pública.

Apesar das origens na Teologia do Processo, na década de 1930, e das afirmações de Jonh MacArthur, em 1990, só houve uma infiltração desse modelo teológico no meio evangelical em 1986, por intermédio de Clark Pinnock, num ensaio denominado “Deus Limita seu Conhecimento” [God Limits His Knowledge] Clark Pinnock e John Sanders tornaram-se os principais teólogos defensores desse ensino que ainda brota em diversos meios de divulgação da filosofia cristã. Luiz Sayão, da revista Enfoque Gospel, em matéria sobre o tema resume uma frase a sucinta explicação do Teísmo Aberto para quem não conhece teologia: “Teísmo Aberto representa uma reação exagerada contra o calvinismo”.

O Teísmo Aberto defende que Deus se relaciona intimamente com o homem, em detrimento de sua onisciência que seria prejudicada com a dádiva do livre arbítrio; Deus saberia o futuro, mas não todo o futuro, pois esse futuro ainda não teria existência na presença de Deus, dado o livre arbítrio do homem concedido por Deus. Os defensores da Teologia Tradicional afirmam que seria um completo absurdo Deus se despojar do direito de saber todas as coisas, pois, sendo assim, Deus viveria incertezas, não tendo controle sobre os eventos futuros do Universo.

Contudo, defende o Teísmo Aberto que Deus é Todo-poderoso exatamente por causa desse despojamento, visto que mesmo tendo ausência de controle sobre as escolhas humanas, Deus é capaz de governar o futuro vaticinado. Ou seja, exatamente porque Deus não se preocupa em estar no controle de suas criaturas é que ele demonstra estar realmente no controle.
Tudo teria surgido na bem intencionada apologética de alguns teólogos de livrar Deus da maldade existente no mundo, como explica Luiz Sayão, lingüista e hebraísta pela USP, é uma teologia tipicamente Norte Americana: prática e simples. Em outra curta frase apresenta as conclusões do Teísmo Aberto: “Deus precisa deixar de ser Deus, tornando-se menos onipotente e onisciente para que não seja responsabilizado pelo sofrimento do mundo”.

Gratidão pelas informações a:

http://www.elnet.com.br
http://www.gotquestions.org
http://pastorguedes.blogspot.com

Fonte: Emeurgência/http://ministeriobbereia.blogspot.com/2010/01/consideracoes-sobre-o-teismo-aberto.html

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