Saudade

Saudade

Hj, pela por volta das 13h, minha mãe me chamou pra ler este e-mail.
Qdo deparei com o tamanho do texto, confesso que me deu preguiça… mas pensei vou ler.
Durante a leitura, a minha reação foi lágrimas comeraçaram a brotar em meus olhos, qdo vi, no final já tava em pranto.
Coloquei na balança está história fatídica com a minha realidade de vida…
E percebi a ingratidão primeiramente ao Pai Nosso, que habita na Casa Celeste que é eterna, com as Graças que Ele derrama em minha vida diariamente – gerou uma impulção em meu coração de me jogar no chão em lamentação, não por causa desta LIÇÃO – MAS pela inclinação do meu coração.
Senhor, DEUS E MEU PAI… eu quero INDEPENDENTEMENTE da minha realidade de vida… te DAR GRAÇAS POR TUDO, DIARIAMENTE AO ABRIR DE MINHAS PÁLPEBRAS…
TE AGRADEÇO PELA OPORTUNIDADE DE TER FEITO A LEITURA DESTA MENSAGEM.
Ass: Sua filha, POR ADOÇÃO: Nádia Duarte
Abraços Sinceros a todos,
Nádia Duarte
noiva, candidata a esposa de Cristo e amiga de Deus… aguardando a minha redenção no Senhor…….
esperançosa p/ Deus operar o Seu Propósito Eterno em mim!!!!!!!!!!!

Depoimento de um médico oncologista do Recife.

No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar
crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei
meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a
freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria.
Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes,
particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta
terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao
ver o sofrimento  destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por
mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por
anos de tratamentos os mais diversos e  todos os desconfortos trazidos
pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas
não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas
vezes, e isto é humano! Mas via confiança  e determinação. Ela
entregava o bracinho à enfermeira e com uma lágrima nos olhos dizia:
faça tia, é preciso para eu ficar boa.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo
sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta
que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:

– Tio, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondida nos
corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade
de mim. Mas eu não tenho medo de  morrer, tio. Eu não nasci para esta
vida! Pensando no que a morte representava para  crianças, indaguei:

– E o que a morte representa para você, minha querida?

– Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama
do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa
própria cama não é?

– É isso mesmo, e então?

– Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos,
nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa
cama, não é?

– É isso mesmo querida, você é muito esperta!

– Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu
Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei “entupigaitado”. Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado
com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento
acelerou, com a visão e grande  espiritualidade desta criança, fiquei
parado, sem ação.

– E minha mãe vai ficar com muita saudade minha, emendou ela.

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço,
perguntei ao meu anjo:

– E o que saudade significa para você, minha querida?

– Não sabe não, tio? Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição
melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor
que fica!

Um anjo passou por mim…
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra,
do que nos permitimos enxergar
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição,
vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de
grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou
a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus
doentes, a repensar meus valores.
Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela
a quem chamo “meu anjo, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser
ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que
ensinaste, pela ajuda que me deste.
Que bom que existe saudades! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
RC
Recife Boa Vista D4500
Cremepe
5758”

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